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Fotodocumentarismo

Um trabalho pouco conhecido no Brasil. Leia sobre o assunto e visite galerias de fotos.

80 Por Hora
Suas noite de segunda-feira na companhia de
Fábio Flores e Léo Cobal

Caminho do Céu
Patrimônio da Penha, por Leonardo Picinati e
Maíra de Souza
Viver Sem Fronteiras
A
s barreiras arquitetônicas e atitudinais que
as pessoas cegas

Fotodocumentarismo, trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo 2007/2. Leia o Pré-Projeto e veja as fotos.

O Olhar do Morro dos Alagoanos
O Morro dos Alagoanos e suas diversas faces

Fotodocumentarismo?

Ver, reler o cotidiano e capturar em imagens os momentos. Quem sabe essa seja uma das grandes inovações que nos fascinem em fotografia. Porém, o que é a fotografia? Para que serve? Por que fascina? Qual sua importância e porque ela será à base do meu trabalho? Para entender melhor sobre o fascínio que a imagem exerce sobre as pessoas é preciso entender o que ela representa em nosso cotidiano.

Toda fotografia tem sua função histórica, não porque é iconográfica (ROSSONI, 2004, p 107), mas pelo que revela sobre a condição social de um grupo em uma determinada época. Ela é “[...] a imitação mais perfeita da realidade”, uma das melhores ferramentas “[...] para verificar a verossimilhança entre os discursos e a realidade.” (DUBOIS, 1990, p. 27).

Para Sousa (2004, p. 13) a fotografia pode ser usada como um veículo de observação, informação, análise e de opinião sobre a vida humana e suas conseqüências. Barthes (1978, p. 47), compreende que  “[...] no fundo, a fotografia é subversiva não quando assusta, perturba ou até estigmatiza, mas quando é pensativa”. Para Kossoy (1989, p. 28) a fotografia é um intrigante documento visual cujo conteúdo é a um só tempo revelador de informações e detonador de emoções: os conteúdos da fotografia “[...] despertam sentimentos profundos de afeto, ódio ou nostalgia para uns, ou exclusivamente meios de informação para outros que a observam livres de paixões.”

Diante da importância da fotografia descrita pelos autores citados anteriormente, é importante abrir um espaço para descrever a história desse veículo de comunicação não-verbal que surgiu na Revolução Industrial, alcançando no século XIX uma maior aceitação.

Nos anos 60 do século XIX, propiciou o surgimento de verdadeiros impérios industriais e comerciais da fotografia. Nessa década,


“[...] o mundo tornou-se de certa forma “familiar” após o advento da fotografia; o homem passou a ter um conhecimento mais preciso e amplo de outras realidades que lhe eram, até aquele momento, transmitidas unicamente pela tradição escrita, verbal e pictórica”. (KOSSOY, 1989, p. 15).


Um século depois da disseminação da fotografia pelas empresas fotográficas, Baynes (1971) sugere que o aparecimento do primeiro tablóide fotográfico, o
Daily Mirror[1], em 1904, marca uma mudança conceptual: as fotografias deixaram de ser secundarizadas como ilustrações do texto para serem definidas como uma categoria de conteúdo tão importante quanto o componente escrita. Neste momento, a fotografia passa a ser conhecida mundialmente como veículo de comunicação e recebe o nome de Fotojornalismo[2].

Esta técnica fotográfica teve reconhecimento na Alemanha, após a Primeira Guerra. A Alemanha durante décadas pós-guerra se destacou no âmbito fotojornalismo. De acordo com Sousa (2004, p. 19) nas décadas de 20 e de 30 do século XX, “[...] a Alemanha tornou-se o país com mais revistas ilustradas.” Contudo, Achutti (1997, p. 28) ressalta-nos que após a ascensão de Hitler em 1933, o fotojornalismo alemão sofreu uma violenta queda com o fechamento de inúmeros órgãos de imprensa, já que os profissionais fotográficos pediram exílio para os Estados Unidos e lá, criou-se uma das mais importantes revistas ilustradas, a Life[3], que fez escola, impôs um estilo e formou uma equipe de renomados fotojornalistas como Eugene Smith e Alfred Eisenstaedt.

Assim, a fotografia se fixou como “expressão da verdade” (KOSSOY, 1989, p. 16). Contudo, o fotojornalismo se esbarra na questão do tempo da captura da imagem.“[...] Os fotojornalistas trabalham com tempo muito escasso, suas fotos são de consumo diário.” (ACHUTTI, 1997, p. 29). Para o jornalista que pretende capturar imagens com maior tempo e autonomia, dificilmente encontrará espaço dentro do âmbito de trabalho. Ele esbarrará nos interesses dos veículos de comunicação. Achutti (1997) sugere que o profissional fotográfico que almeja maior autonomia em seu trabalho, utilize do “documentary photography
[4]” que...
 

“[...] refere-se a uma fotografia que busca a documentação social, tem como seu universo de investigação os homens, suas especificidades culturais, suas condições de moradia e de trabalho, suas práticas religiosas e suas formas de lazer, numa determinada época.” (ACHUTTI, 1997, p. 31)                               


A fotodocumentário que é outra vertente das técnicas fotográficas também ganhou popularidade nos Estado Unidos. Segundo Achutti (1997) a fotodocumentário é uma fotografia de cunho eminentemente social, suas imagens são realistas, e de cunho denunciativas. Seu fortalecimento, como também suas técnicas e teorias vieram de terras americanas. A este respeito, Achutti (1997, p. 31) chama-nos a atenção para o fato de que            --->








 

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[...] os Estados Unidos se constituíram num fértil terreno para o desenvolvimento da fotografia em geral, não só [do fotojornalismo] da fotografia de documentação. [...] Também é importante o registro de que prosperaram as iniciativas quanto à consolidação de uma fotografia americana de inspiração pictórica (fotógrafos que buscaram imitar a pintura). Prosperou ainda a chamada straight photography, uma fotografia objetiva, “realista”, que se impôs como uma estética própria, independente das tradições da pintura acadêmica, que consagrou mundialmente alguns “amigos da natureza”, mestre na documentação das paisagens naturais.
 

Essa prática jornalística consolidou-se na década de 30, depois da Fotografia e do Fotojornalismo. Teve um início natural porque as pessoas faziam sem a intenção de “tocar” os outros. As fotos eram tiradas das cidades, das pessoas que moravam nela e das diferentes etnias existentes. Nesse campo, o capixaba Sebastião Salgado é muito conhecido e competente. (SOUSA, 2004. p. 12). Seu estilo é classificado como “humanista”. Dentro dos estilos, também temos o “pura criação”: que é algo muito bem produzido e pré-aprovado e por fim, pode ser feita com a “verdade interior”: aproximação do fotografo com o objeto ou pessoa a ser fotografada.
 

A documentação é um enfoque e não uma técnica; é uma afirmação e não negação... A atitude de documentar não é o rechaço de elementos plásticos, que devem seguir sendo critérios essenciais em toda a obra. Somente dá-se a esses elementos seu limite e sua direção. Assim, a composição se transforma numa ênfase, e a precisão da linha, o foco, o filtro, a atmosfera – todos esses componentes que estão incluídos na sonhada penumbra da “qualidade” -, são postos a serviço de um fim: falar, com tanta eloqüência quanto for possível, daquilo que deve ser dito na linguagem das imagens. (STRYKER, in Achutti, 1997, p. 30)
 

Neste momento faz-se necessário o questionamento da importância do fotodocumentário e porque ele serviria como base para o meu trabalho?  Para Sousa (2004, p. 11) além de todas as conotações que o fotodocumentário possa receber, ele pode ser entendido de uma forma lata como uma ferramenta que tem a finalidade de informar. O fotodocumentarismo trabalha em termos de projeto fotográfico. Além de que, “[...] um fotodocumentarista procura fotografar a forma como esse acontecimento afeta as pessoas.” (SOUSA, 2004, p. 12). Como minha tentativa neste trabalho de pesquisa é mostrar através da fotografia quais são as barreiras arquitetônicas e atitudinais que as pessoas cegas encontram no dia-a-dia, a técnica fotodocumentário parece-me pertinente vez que, conforme bibliografia consultada me possibilitará capturar com maior exatidão quais são essas barreiras.
_____________

[1]
Um jornal da Inglaterra, do século XIX, que em 1904 começa a ilustrar as suas páginas quase unicamente com fotografias. (SOUSA. 2000, p. 69).
[2]
Fotojornalismo é uma atividade singular que usa a fotografia como um veículo de observação, informação, análise e de opinião sobre a vida humana e suas conseqüências. (SOUSA, 2004.)
[3]
A revista Life nasceu em 1936, nos EUA, como uma publicação semanal, foi interrupda três vezes: a primeira em 1972, a segunda em 2000 e a terceira no dia 20 de abril deste ano (2007).
[4]
Fotodocumentário. (ACHUTTI, 1997, p. 31).

Referências Bibliográficas
ACHUTTI, Luiz Eduardo Robinson. Fotoetnografia. Porto Alegre: Tomo Editorial, 1997;
DUBOIS, Philippe. O ato fotográfico e outros ensaios. Campinas: Papirus, 1990;
KOSSOY, Boris. Fotografia & história. São Paulo: Ática, 1989. p. 110;
SOUSA, Jorge Pedro. Uma história crítica da fotografia ocidental. Santa Catarina: Letras Contemporâneas, 2000. p. 255;
SOUSA, Pedro Jorge. Fotojornalismo: introdução à história, às técnicas e à linguagem da fotografia na imprensa. Santa Catarina: Letras Contemporâneas, 2004. p. 124;


 
Esse texto é fragmento do Trabalho de Conclusão de Curso para bacharel em Jornalismo, 2007/2.

Fim.













 

 

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Original © 2007 - Leonardo Picinati