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Exposição Fotográfica Viver Sem Fronteiras: barreiras arquitetônicas e atitudinais enfrentadas pelas pessoas cegas

Início do projeto: fevereiro de 2006.
Término: dezembro de 2007.

Em comemoração ao dia 3 de dezembro – Dia Internacional das Pessoas com Deficiência - no Hall do Térreo da Assembléia Legislativa de Vitória acontecerá à exposição fotográfica Viver Sem Fronteiras: barreiras arquitetônicas e atitudinais enfrentadas pelas pessoas cegas.

Em 24 meses de pesquisa sobre o cotidiano das pessoas cegas e, atuando um ano como professor teatral na União de Cegos D. Pedro II, em Vila Velha, o Trabalho de Conclusão de Curso para bacharel em Jornalismo (FAESA), Leonardo Picinati pretende, em 25 imagens, em cores, levantar discussões e dar visibilidade às barreiras arquitetônicas e atitudinais pelas quais passam mais de 148 mil pessoas cegas no Brasil e aproximadamente 15% da população com deficiência do Estado do Espírito Santo (Censo 2000, IBGE).

As imagens são um misto de registros de barreiras e de (des)velamento dessa exclusão que na maioria das vezes é omitida pela sociedade geral. O conjunto de imagens pretende sintetizar esse universo carregado de contradições: de um lado seres humanos cheios de desejos, esperança e sonhos; de outro, todo um cenário que freia, inopera e suga do sujeito o seu direito básico de Viver Sem Fronteiras.

O Pré-Projeto foi entregue em 2007/1, Projeto em dezembro de 2007/2.

Acesse:
- Pré-Projeto;
- Projeto Final;
- Inclusão Social das pessoas cegas;
- Lei Municipal que assegura acessibilidade nas calçadas da cidade as pessoas com deficiência;

-
Acessibilidade, mobilidade. O que diz a lei;
- Matéria, Caderno Dois, de A Gazeta;
- Matéria site Faesa;
-
Instituto Paradigma - São Paulo;
- Fotos da Exposição e slides da defesa do TCC que aconteceu no dia 04 de dezembro de 2007, às 10h30min no Campus II da Faesa.

 

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Algumas das barreiras arquitetônicas e atitudinais enfrentadas pelas pessoas cegas

O nível das ruas com relação ao paralelepípedo são barreiras arquitetônicas até para os videntes*.


*vidente, sinônimo de pessoa que enxerga.

Alguns empresários usam as calçadas como extensão do seus comércios dificultando a passagem.

Sinal de trânsito abeto para os pedestres.
O vidente atravessa enquanto as pessoas cegas esperam atitude de um vidente para ajudá-las. Tudo porque o sinal de trânsito não tem sinal sonoro.

Não há bengala que "enxerga" um buraco deste.

O prefeito de Vila Velha não sancionou a lei que abrange as calçadas: piso de serviço que fica as barreiras arquitetônica.
O canteira que deveria enfeitar a cidade para os olhos dos videntes agora é o mesmo canteiro que atrapalha o fluxo dos pedrestes.

Degrau para facilitar a vida do vidente e dificultar a vida da pessoa cega.

Olha a Celi ao fundo desviando de um jarro de planta, sem planta.

Os buracos são grandes e profundos.
Pela profundidade nem se vê a taxa amarela que indica atenção na bengala de Paulino.

Em meio a correria dos videntes, Celi espera alguém ajudá-la saber qual é à direção que deve ir para pegar o ônibus para a Unicep.

O hidrante sem piso em alto revelo é uma linda barreira arquitetônica.

No bairro Praia da Costa tinha um orelhão no meio do caminho, no meio do caminho tinha um orelhão.

No bairro Praia da Costa o calçadão da orla ficou lindo. São dois pisos de cores diferentes: a cor cinza para caminhada; a cor vermelha para ciclismo.
Para que serve a diferença de nível? Como barreira arquitetônica? Ou para diferenciar as duas pistas além das cores que já fazem bem esse trabalho?

No bairro Praia da Costa, os canteiros de plantas não são sinalizado.

A diferença de altura entre rua e calçada tornasse barreira arquitetônica até para os videntes.

Os postes de energia sem sinalização de piso em alto relevo.

O elevador com números em braile, possibilitando a pessoa cega chegar ao andar desejado com facilidade. Contudo, sem resposta de voz, ele pode descer no terceiro andar ao invés do sexto como pretendia.

Sinal de trânsito sem sinal sonoro é uma das barreiras arquitetônicas mais difícil para as pessoas cegas. Nesta foto são duas barreiras: a arquitetônica pelo sinal de trânsito; atitudinal pela mulher que atravessou o sinal sem oferecer ajuda a pessoa cega.

Os bancos são, na maioria, todos com calçadas na frente. Calçadas sem piso em alto relevo, barreira arquitetônica.

Imagina quando encostar a bengala no carro. A última coisa que vai pensar é um carro na calçada.

Por que o tênis está torto?

Os orelhões são uma salvação para os videntes. Uma grande barreira para as pessoas cegas, quando não sinalizado com o piso em alto revelo.

Um hidrante no meio do caminho, no meio do caminho um hidrante. Quando ela bater a canela na parte de ferro, sentirá a dureza do material.

A calçada com sinalização à esquerda para a pessoa cega, porém, um canteiro no meio da calçada sem sinalização.

Quando tirava esta foto, o proprietário da moto perguntou: "Quer que eu tire a moto? Ela está atrapalhando?"
Preciso responder?

A bengala é o objeto que identifica em primeiro momento a pessoa cega. Também é o instrumento que gera preconceito atitudinal, como palavra do tipo: "ceguinho". Lembrando que antes de cego ele é uma pessoa. Então, pessoa cega.

Até na própria instituição de ensino das pessoas cegas existe barreira arquitetônica. Uma rampa que foi construída de forma irregular: ultrapassa à medida de 8,33% de íngreme estabelecida pelas normas da ABNT de acessibilidade.

Barreira atitudinal por parte dos funcionários do sistema público de transporte. A faixa amarela indica atenção. Uma placa avisa que, para segurança do usuário, permaneça pelo lado de dentro da faixa, evitando colisão com ônibus.

Ônibus lotado, poucos lugares identificados, barreira atitudinal de pessoas que não "cedem" lugares que são de direito das pessoas cegas estabelecidos por lei.

Total escassez de livros em Braille.

Nossas atitudes criam barreiras arquitetônica e atitudinal.
Das barreiras que criamos, além de dificultar a vida da pessoa cega, leva-o para o confinamento.

Atividades

Legenda das fotos 1 a 17

As fotografias foram capturadas na Festa da Penha, na Prainha, no município de Vila Velha, em 2007, na primeira caminhada das pessoas com deficiência: física ou motora, sensorial ou mental.
   
   

Legenda das fotos 18 a 60

As fotografias foram capturadas no Centro de Capacitação e Complemento do Ensino Fundamental (Titanic), no município de Vila Velha, no dia 09 de agosto de 2007, no encontro realizado pela Prefeitura do município sobre Sexualidade e Deficiência.

Legenda das fotos 61 a 77

As fotografias foram capturadas na Unicep e proximidades, município de Vila Velha, no dia 14 de agosto de 2007. Aulas de locomoção que têm o objetivo de ajudar a pessoa cega na reabilitação dentro dos espaços criados pela sociedade que tem os "olhos abertos". Entrei na aula, interagir com meus alunos: tampei os meus olhos para vivenciar.

  Legenda das fotos 78 a 105

As fotografias foram capturadas na Pracinha de Vila Velha, no dia 21 de agosto, iniciando as comemorações da "Semana Nacional das Pessoas com Deficiência".
O Ato Público teve o objetivo de mostrar a normalidade entre seres, os questionamentos sobre o porque da necessidade de classificação de pessoas. Alguns personagens que abraçam a causa e/ou são pessoas com deficiência subiram no palco e deram suas contribuições. Aos poucos, as pessoas que passavam, paravam para ouvir e observar. As Ongs Apae, Unicep (União de Cegos D. Pedro II) e IELBES (Instituto de Educação e Libras), aproveitaram para convidá-los, através de panfletos, para conhecerem as instituições.
Além dos discursos, os que ali estavam, puderam assistir apresentações de peças teatral e dança.

 

Legenda das fotos 106 a 127

As fotografias foram capturadas na Unicep, no dia 22 de agosto, durante a exposição de peças de artes produzidas por alunos da instituição e campeonato de gooball, na "Semana Nacional das Pessoas com Deficiência"

Legenda das fotos 128 a 167

As fotografias foram capturadas no terminal Rodoviário do Ibes, em Vila Velha, no dia 28 de agosto. Alunos e professores da Unicep passaram à tarde de terça-feira panfletando e simulando aulas de locomoção para funcionários e usuários da rede pública de transporte da Grande Vitória. O objetivo é conscientizar sobre as barreiras arquitetônicas e atitudinais que os videntes impõem para a pessoa cega.

Legenda das fotos 168 a 186

As fotografias foram capturadas na Prainha, em Vila Velha, no dia 24 de outubro, no piquenique que teve o objetivo de trabalhar ao ar livre a altura da voz dos alunos ao pronunciarem as falas do teatro.

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Original © 2007 - Leonardo Picinati