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A força da união
Após a ditadura, as comunidades de Argolas e Paul se unem para mudar o
contexto dos bairros
por Leonardo Picinati - abril de 2007
O Terminal da Usinimas, na década de 60, conhecido como Cais de Paul, hoje
arrendado a empresários, reformado recebeu o nome de Terminal Peiú. A partir
da década de 70, mais acentuadamente com o fim da ditadura, as comunidades
de Argolas e Paul começaram a reagir contra o pó de ferro-gusa e de carvão e
contra o ruído provocado pelas cargas e descargas de produtos em navio e
trem. Com a criação da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (Seama)
e das leis ambientais do Estado (1987/1988), as queixas encontraram respaldo
no Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), que começou a fazer
exigências.
“Além de instituir um horário de funcionamento para o terminal, por acordo
de cavalheiros com anuência da Prefeitura Municipal de Vila Velha, o porto
não funciona entre 22h e 06h”, salienta o assessor de impressa da Companhia
Vale do Rio Doce, Orlando Eller. Com as exigências a Vale tomou uma série de
medidas para reduzir ruído e poeira: total enclausuramento da área de carga
e descarga, o uso de aspersão de água para impedir geração de poeira. O uso
de madeira no fundo do navio para amortecer o barulho provocado pelo impacto
dos tijolos de gusa contra o fundo do navio e a implantação de uma faixa
verde de vegetação ao longo do cais.
Entre a poeira e o barulho, os moradores que viviam ao redor do cais, se
organizaram no início do regime democrático e “com o apoio do governo,
conseguiu, com a compreensão do porto, uma convivência pacífica sem
interromper as atividades, importantes para todo mundo”, afirma Orlando
Eller.
Atualmente
Terminal Peiú tem capacidade anual de movimentação para 2,5 milhões de
toneladas. O cais com 160 metros de comprimento, com capacidade para navios
de até 50 mil toneladas porte bruto, calado médio de 9 metros, descarregador
de vagões com capacidade para 900 toneladas por hora e carregador de navios
com capacidade para 900 toneladas por hora.
Ao lado do terminal de gusa havia outro, de carvão, também operado pela
Usiminas entre os anos de 1960 e 1983. Em 1983, os carregamentos de carvão
foram transferidos para Praia Mole, então inaugurado. O Terminal de Praia
Mole, contíguo ao porto de Tubarão, é especializado em operações de descarga
de navios. O assessor de impressa da Vale, Orlando Eller afirma que o
terminal tem capacidade para manusear 14 milhões de toneladas anuais,
sobretudo de carvão siderúrgico, carvão-vapor, fertilizantes, enxofre,
manganês, minério de ferro e outros granéis. O terminal tem píer com 730
metros de comprimento, um berço em calado de 18 metros, com capacidade para
navios de até 250.000 toneladas porte bruto, outro em calado de 55,77 pés,
com capacidade para navios de até 170.000 toneladas porte bruto e quatro
descarregadores tipo roppe-trolley com capacidade para 1.800 toneladas cada.
Além dessa estrutura, o terminal possui uma retroárea com pátio de estocagem
para 750 mil toneladas, duas empilhadeiras com capacidade para 2.200 por
hora cada, uma recuperadora com capacidade para 2 mil por hora, um armazém
para fertilizantes com capacidade para 10 mil e uma estação de carregamento
de vagões com capacidade para 2 mil toneladas por hora.
O terminal faz parte do porto organizado, que pertence à Codesa. Por
arrendamento, a Vale o opera há mais de quarenta anos. É especializado em
embarque de ferro-gusa. O carregamento dos navios é feito diretamente dos
vagões, sem intermediação de armazenagem em pátio do porto. A armazenagem é
em Aroaba, na Serra. |
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