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Poeta

Salomão da Silva Pinto
por Leonardo Picinati – agosto de 2007
 

No dia 14 de outubro de 1965, a cidade de Conceição da Barra recebe de Ávido Pereira Pinto e Laudelina da Silva Pinto seu filho, Salomão da Silva Pinto, o Só-Só, como prefere ser chamado. Tornou-se poeta, publicou vários livros em co-autoria com Machadinho, batizado como Márcio Machado dos Santos. São eles, Delírios (1992), Procriação (1994) E Pele Nua (1995). Em 1997 lançou o livro Inspiração, que segundo Machadinho “nos trouxe mais uma vez a inspiração”.

Pelas praias de Conceição da Barra, Só-Só aprendeu a respeitar o mar e tirar dele seu sustento. Filho de pescador, o poeta busca inspiração beira mar, além de surfar e buscar conchas, ossos de peixe e objetos modelados pelo mar para construir suas esculturas.

Seu último emprego foi em 1993, quando se demitiu para dedicar-se à arte.

Algumas de suas obras

Meu vício
Ouro Preto, 12 de novembro de 1995

Quando o meu peito se calar
E for desfeito o sopro da vida,
Minha’alma será devolvida.
A Deus retornará.
O meu corpo tão cansado
Voltará à terra,
Pois foi retirado dela
Pelo escultor divino
Que me fez menino
E esse menino cresceu,
Conheceu o mundo,
Corrompeu-se em abismos profundos,
Mas reconheceu sua descrença
E dispôs-se a pagar o preço pela decadência.
Em reconhecer tornou-se poeta,
Aprendeu a amar a vida
E traçou para si uma meta:
“Dedicar-se a este ofício – poesia”.
E adquiriu um vício:
“Compor todos os dias”.









 

Árvores, flores e rio
Ouro Preto – 10 de junho de 1995

Tem dias, faz tempo...
Que eu paro e penso
E sinto um desejo intenso
De parar de pensar.
Fico imaginando as árvores e as flores...
Como que é sentir dores,
Ser queimado ou despetalado,
Sem mal ou bem para lembrar?
Como que é ter vida,
Elogios, carinho ou ferida
E seguir calado como um rio
Que no mar vai desaguar?
Eu solto um grito
No íntimo do meu ser:
“Quero ser árvore!
Quero ser flores!
Quero ser rio para não raciocinar!
Quero seguir calado e satisfeito,
Repousar no meu leito
Sem pensar, sem meditar,
Sem nada para lembrar.”
Mas como não sou árvore,
Nem flores, nem rio...
Procuro imitá-los um pouco
Para não explicar, ficar louco...
Deixo um espaço vazio
No meu mundo de raciocínio,
Para adormecer, ser menino,
E sonhar que sou árvore,
Sou flores e sou rio.

A minha pátria
Conceição da Barra, 03 de setembro de 1987

Quisera eu ser um pintor
Para pintar numa tela
As terras do meu Brasil.
Com o meu pincel eu daria
O tom tropical
Que a mãe-natureza
Com inspiração e beleza
Deu à minha terra natal.
Quisera eu ser um poeta
Para em versos ou em prosa
Declarar o amor que eu sinto
Por esta terra fabulosa.
Com este céu azul-anil,
Onde voam incessantes
Aves de espécies mil.
É tão linda a minha Pátria,
É preciso sensibilidade e inspiração
Para pintá-la numa tela
As belezas dessa terra.

Não se contemplam em outra nação.

A Poesia
Conceição da Barra, 21 de julho de 1989

Minha leve mão a pena segura
E a manipula para escrever.
Saem palavras do íntimo do meu peito
Nas noites que passo sentado no leito,
Buscando inspiração para você.
Poesia!
Como é gratificante te esculpir,
Te moldar,
Te tecer,
Te pintar,
Te servir.







 

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Original © 2007 - Leonardo Picinati